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quarta-feira, 20 de junho de 2018

Miragem

Eu sei que tá tudo confuso
Eu nem sei como uso
As palavras que eu sei

Parece algo mudado
E eu tenho me cobrado
Algo que eu pensei

Tenho tido miragens
Criado paisagens
Que não fazem sentido

Talvez seja loucura
Toda essa fissura
Que eu tenha perdido

Tô tentando entender
O que eu deixei ser
E porque o fiz

Mas parece cilada
Todas essas risadas
Isso só contradiz

domingo, 20 de setembro de 2015

Na Toca Do Coelho



       Um dia eu percebi o caminho que eu estava seguindo. Percebi que o que eu estava fazendo poderia piorar as coisas - se é que seria possível. Mas aí eu encontrei um refúgio, eu caí na toca do coelho e deixei que o mundo desaparecesse. Eu fingi que estava tudo bem para não ser questionada. O ponto é que, a toca do coelho, tem um preço. E eu só me dei conta agora.
       A verdade é que eu não sei o que estou fazendo. Eu prometi à mim mesma que não faria mais, mas eu não costumo cumprir as promessas que eu faço para mim. Eu venho segurando minhas vontades, inclusive aquelas chamadas de "auto-destrutivas". Mas talvez eu não devesse me segurar tanto. Eu preciso de um rumo, mas não sei de qual rumo eu preciso. E como seguir por um caminho cujo qual você nem sabe aonde vai dar?
       Acho que nunca me permiti ser eu mesma, eu precisava ter controle, precisava fazer parte da ordem do mundo. Mas pra quê? Pra ser infeliz? Pra deixar as pessoas felizes? É, eu sei... Eu venho me anulando há anos, e eu sempre soube disso, mas está na hora de pensar em mim. Está na hora de começar a viver. O problema é que eu nunca vivi, então nem sei por onde começar.
       É tão triste perceber que sua vida foi um vácuo. Perceber que tudo à sua volta te fez ser quem você é e parar pra pensar o quanto você não gosta do que se tornou. Já existem tantas marcas por dentro que você acaba por não se importar com as marcas externas. E é isso o que se torna um problema. Isso te torna um problema.
       Mas aí eu caí. Caí na toca do coelho e me permiti ficar lá por um tempo. O problema é que já faz muito tempo e não tenho pressa de voltar à superfície. Perdi as expectativas de encontrar uma Alice, permaneci ali somente com a escuridão pra me guiar. Mas adivinhem? Ninguém enxerga muito bem na escuridão.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A Soma de Tudo

       E se eu te dissesse que ainda não estou pronta pra isso? E se eu te dissesse que nem sei o que estou fazendo aqui? E se eu te dissesse que, na verdade, não estou pronta pra nada? E se eu te dissesse que nem sei do que eu estou falando?
       Tudo bem, você acertou. Não está tudo bem. Agora, já que você lê mentes e corações, pode fazer o favor de me explicar o que eu tenho? Esquece! Eu sei que não pode. Mas deixa eu tentar, então. Eu não sinto nada. É isso, nadinha. Hoje eu fiquei sem amor, sem raiva, sem simpatia, sem ódio. Hoje eu fiquei na indiferença. Mas quer saber? Que se dane. Eu vejo a indiferença por aí fazendo mais sucesso que qualquer sentimento bom.
       Por outro lado, eu devo estar me sentindo assim de tanto sentimento que me espanta. De tanta emoção que me corroi. Eu nem sei explicar o que eu sinto. Eu digo "indiferença" porque é o que eu penso que pode ser, mas acho que tá mais pra exaustão. Tá mais pra "transbordei e não sei o que fazer". Aí eu fico assim, com esse jeito ignorante, essa vontade de dar murro em ponta de faca, essa sensação de que já deu, que não quero mais nada. Ah... Esse nada outra vez.
       Eu detesto me sentir assim. Mas, credo, eu detesto sentir! Que horrível é admitir uma coisa dessas, que absurdo alguém que não gosta de sentir. Mas o que eu posso fazer se até o sentimento bom machuca? O que eu posso fazer se o que era pra dar prazer, hoje, me deu dor? O que era bom-humor virou "tanto faz". Eu virei um "tanto faz". É aí que eu percebo que a soma de tudo é nada.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Sintomático

       É anormal chorar a noite inteira e acordar vazia? Na noite passada eu estava amedrontada, queria gritar, sentia meu coração saindo do peito, mas isso acontece quase todas as noites. Então por que seria anormal? Aliás, o que é normal? Eu nem sei se me encaixo na definição de "normal".
      Será que conversar sozinha é normal? Será que mandar a si mesma calar a boca, ou as vozes em sua cabeça, é normal? Ver sombras o tempo todo e sentir medo delas é normal? Chorar do nada, ou por tudo é normal? Não conseguir fechar os olhos porque tem medo de ter pesadelos é normal? Sentir medo de si mesma é normal? Olhar pra dento de si mesma e tentar se convencer de que você não é um monstro é normal? isso é normal?
       Eu venho pensando sobre tudo isso e mais um monte de coisas que tenho medo de falar à respeito. Não sei se consigo conviver com isso por muito tempo. Toda essa desconfiança em mim mesma, essa insegurança que ninguém percebe que existe, essa timidez que duvidam, os segredos que me cercam. Eu não sei mais conviver comigo mesma. Isso se tornou tão difícil que evito me olhar no espelho, mas ninguém vê. Ninguém sabe. Nem quer saber.
       Acho que eu nem me importo mais se minhas dores de cabeça forem algo mais grave, ou se meus pulmões simplesmente pararem de funcionar, ou se minhas sensações forem alucinações e delírios. Eu não me importo mais se tudo isso for um sintoma, ou até mesmo um efeito colateral. Eu quero que se dane tudo isso. E que eu me dane junto. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

I Don't Wanna Die Alone


       Às vezes, me sinto vazia. Na verdade, me sinto vazia na maior parte do tempo. É estranho admitir publicamente, mas é ruim não admitir. É que com esse sentimento de vazio, vêm outros sentimentos. A culpa, a inutilidade, o esquecimento, a incompreensão, o peso. E são coisas das quais eu não consigo me livrar. Eu não consigo me sentir menos culpada, ou menos inútil. Não consigo parar de pensar que as pessoas à minha volta estão me esquecendo a cada dia.
       Quando paro pra pensar - o que é muito frequente -, me imagino deixando tudo pra trás. Imagino que me perdi de vez em algum lugar no mundo, onde ninguém me procuraria. Mas não que eu ache que alguém vá me procurar, porque tenho a impressão de que, em algum momento, à curto prazo, essa busca pararia. Então eu penso em finalmente deixar essa vida, mas sou tão fraca. Não tenho coragem, sequer, de dar continuidade à isso. Eu fico pensando em maneiras, em possibilidades, mas não me movo.
       Eu quero acreditar que exista alguém que realmente me ama e faria tudo por mim. Alguém que vá lutar contra tudo e contra todos se necessário. Gosto de pensar que ele me poria à frente de tudo e que nem precisaria pensar pra me escolher. Eu fico imaginando como seria se ele decidisse passar o resto da vida dele comigo. Mas são especulações. Porque se tem uma coisa na qual eu acredito, é que ninguém iria querer passar o resto da vida comigo.
       A cada palavra que escrevo, perco um pouco de mim e talvez um pouco da minha sanidade. Perco um pouco das certezas boas e ganho algumas ruins. Perco um pedacinho da alma que restou e, às vezes, consigo senti-la partindo. Então quando alguém se aproxima, eu sorrio. Porque ninguém nunca vai acreditar nas suas lágrimas mais do que no seu sorriso. Mas isso não significa que, justamente o sorriso, será verdadeiro.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Logo Mais Amanhã Já Vem

"A sustentação é que a manhã já vem. Logo mais amanhã já vem." - Pitty Leone

       Às vezes a gente precisa de um lugar no paraíso. Um lugar que seja só nosso e que não possa pertencer a mais ninguém. A gente precisa entrar em contato com nossa alma. Precisamos de um lugar que nos permita sermos nós mesmos. Às vezes a gente precisa fugir.
       Olha, eu não quero ser dramática (como se eu risse), mas sumir pode ser uma opção. Partir pode ser a cura que eu tanto procuro. Pode ser metafórico, literal, temporário ou até permanente. Pode ser o que tiver que ser. Eu aguento.
       Eu só queria que alguém levasse esse meu desejo à sério. Por que esse tipo de coisa é sempre feito pra chamar a atenção? Por que isso tem que ser um drama, um exagero, ou pior, uma piada? Por que não dá pra levar à sério que eu não quero estar aqui? Eu pareço tão fútil assim? Quer dizer, eu me abro, me exponho, confio e tudo não passa de uma besteira? Deixa pra lá (é o que eu sempre digo). Eu preciso de ajuda (é o que eu quero dizer).
       Sabe, por mais que ninguém enxergue, eu juro que quero fazer a coisa certa sempre. Juro que quero ser alguém melhor, mas não consigo. E se tem outra coisa que eu posso jurar, é que eu não sei o porquê. Então esse pensamento volta. Eu preciso fugir. Preciso me livrar de mim mesma. É que parece tão triste e ridículo ao mesmo tempo admitir tudo isso. Mas quem se importa? Ninguém. Se alguém se importasse, eu não precisaria escrever.
       Por dentro, sei que sou um monstro. Sei que sou um desapontamento. Já ouvi isso sobre mim. E eu queria ser algo mais que apenas isso... Um monstro, um desapontamento. Eu queria ser mais. Uma luz talvez. Um orgulho. Mas isso está longe de acontecer. Eu vou seguindo o meu caminho enquanto ainda não tenho coragem o suficiente para me parar. Vou seguindo enquanto consigo.
       Um dia eu cumpro a promessa que fiz à mim mesma. Cumpro e sumo. Que falta vou fazer? À quem vou temer além de mim mesma? Um dia, talvez, eu consiga mostrar a minha personalidade de verdade pra alguém. Um dia, talvez, eu consiga ser salva. Um dia, talvez, eu não precise mais ser salva.