domingo, 20 de setembro de 2015

Na Toca Do Coelho



       Um dia eu percebi o caminho que eu estava seguindo. Percebi que o que eu estava fazendo poderia piorar as coisas - se é que seria possível. Mas aí eu encontrei um refúgio, eu caí na toca do coelho e deixei que o mundo desaparecesse. Eu fingi que estava tudo bem para não ser questionada. O ponto é que, a toca do coelho, tem um preço. E eu só me dei conta agora.
       A verdade é que eu não sei o que estou fazendo. Eu prometi à mim mesma que não faria mais, mas eu não costumo cumprir as promessas que eu faço para mim. Eu venho segurando minhas vontades, inclusive aquelas chamadas de "auto-destrutivas". Mas talvez eu não devesse me segurar tanto. Eu preciso de um rumo, mas não sei de qual rumo eu preciso. E como seguir por um caminho cujo qual você nem sabe aonde vai dar?
       Acho que nunca me permiti ser eu mesma, eu precisava ter controle, precisava fazer parte da ordem do mundo. Mas pra quê? Pra ser infeliz? Pra deixar as pessoas felizes? É, eu sei... Eu venho me anulando há anos, e eu sempre soube disso, mas está na hora de pensar em mim. Está na hora de começar a viver. O problema é que eu nunca vivi, então nem sei por onde começar.
       É tão triste perceber que sua vida foi um vácuo. Perceber que tudo à sua volta te fez ser quem você é e parar pra pensar o quanto você não gosta do que se tornou. Já existem tantas marcas por dentro que você acaba por não se importar com as marcas externas. E é isso o que se torna um problema. Isso te torna um problema.
       Mas aí eu caí. Caí na toca do coelho e me permiti ficar lá por um tempo. O problema é que já faz muito tempo e não tenho pressa de voltar à superfície. Perdi as expectativas de encontrar uma Alice, permaneci ali somente com a escuridão pra me guiar. Mas adivinhem? Ninguém enxerga muito bem na escuridão.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A Soma de Tudo

       E se eu te dissesse que ainda não estou pronta pra isso? E se eu te dissesse que nem sei o que estou fazendo aqui? E se eu te dissesse que, na verdade, não estou pronta pra nada? E se eu te dissesse que nem sei do que eu estou falando?
       Tudo bem, você acertou. Não está tudo bem. Agora, já que você lê mentes e corações, pode fazer o favor de me explicar o que eu tenho? Esquece! Eu sei que não pode. Mas deixa eu tentar, então. Eu não sinto nada. É isso, nadinha. Hoje eu fiquei sem amor, sem raiva, sem simpatia, sem ódio. Hoje eu fiquei na indiferença. Mas quer saber? Que se dane. Eu vejo a indiferença por aí fazendo mais sucesso que qualquer sentimento bom.
       Por outro lado, eu devo estar me sentindo assim de tanto sentimento que me espanta. De tanta emoção que me corroi. Eu nem sei explicar o que eu sinto. Eu digo "indiferença" porque é o que eu penso que pode ser, mas acho que tá mais pra exaustão. Tá mais pra "transbordei e não sei o que fazer". Aí eu fico assim, com esse jeito ignorante, essa vontade de dar murro em ponta de faca, essa sensação de que já deu, que não quero mais nada. Ah... Esse nada outra vez.
       Eu detesto me sentir assim. Mas, credo, eu detesto sentir! Que horrível é admitir uma coisa dessas, que absurdo alguém que não gosta de sentir. Mas o que eu posso fazer se até o sentimento bom machuca? O que eu posso fazer se o que era pra dar prazer, hoje, me deu dor? O que era bom-humor virou "tanto faz". Eu virei um "tanto faz". É aí que eu percebo que a soma de tudo é nada.

terça-feira, 31 de março de 2015

FEMINISMO, QUEM?

       No dicionário, feminismo tem a seguinte definição: "Movimento favorável à equiparação dos direitos civis e políticos da mulher aos homens." Mas quando nós nos deparamos com o mundo de hoje, poucas pessoas que se consideram feministas - sendo homem ou mulher - têm essa ideia de feminismo. A maioria das pessoas pensam que o feminismo prega que a mulher deve ser mais que o homem e esquece que o homem também é atingido pelo machismo predominante no mundo.
       Vemos na internet e nas demais mídias que a mulher é quem deve mandar e que não deve ser submissa ao seu homem e que o mesmo deve respeitá-la. Mas poucas vezes vemos por aí alguém dizendo que o homem também não pode ser submisso e que merece respeito. Isso não deixa de ser um pensamento machista. Se a mulher tem direito, os homens também têm. E esse é o ponto: nós dividimos esses direitos em gênero como se não fôssemos todos, simplesmente, humanos.
       Primeiro a mulher: sim, ela tem que ser respeitada! E ela é capaz de comandar uma empresa, um país, a própria casa, a economia da família ou demais economias. Ela pode escolher o que vestir e o que falar sem ter medo de ser repreendida e tem o direito de decidir o que fazer com o próprio corpo. Ela pode ser dona de casa, mãe, frentista, bancária, mecânica, modelo e o que mais ela quiser. Ela pode tudo o que é possível.
       Primeiro o homem: primeiro também porque nenhum é menos importante que o outro. Primeiro, porque ele pode ser e fazer tudo o que foi dito das mulheres. Ele pode ser dono de casa, cuidar de uma empresa, ser presidente de um país, ele pode ser pai, ser modelo, professor, faxineiro, nutricionista e o que mais ele quiser.
       Essa divisão de gêneros é tão ilógica que quando colocamos no papel nos damos conta do quão machistas e hipócritas somos. Nós somos os primeiros a apontar o dedo para o rapaz de camisa cor de rosa, ou para a garota com uma camiseta de super heroi. Somos os primeiros a dizer para os garotos que convivem conosco que eles não podem chorar em público porque ficam parecendo "menininhas". Somos aqueles que dizem para meninas comerem direito e usar salto alto porque é mais "feminino". Somos os primeiros a aderir o machismo como ideologia enfincada sem que percebamos. Isso tem que parar.
       Dizer a um menino que ele não pode chorar ou que a camisa cor de rosa o faz parecer "feminino" é inaceitável! Dizer à uma menina que ela precisa colocar um salto e maquiagem para "ser mulher" é ridículo! Ao longo dos tempos, nós causamos idas ao psicólogo nos casos mais leves e nos mais pesados, causamos suicídios. Nós somos um perigo para o presente e para o futuro da sociedade assim como fomos no passado. Não é feio um menino chorar, não é feio uma garota sem salto. Feia é a sociedade. Feias são as nossas atitudes.


Deixo o discurso da Emma Watson para a ONU, falando sobre a campanha HeForShe:

segunda-feira, 16 de março de 2015

Sintomático

       É anormal chorar a noite inteira e acordar vazia? Na noite passada eu estava amedrontada, queria gritar, sentia meu coração saindo do peito, mas isso acontece quase todas as noites. Então por que seria anormal? Aliás, o que é normal? Eu nem sei se me encaixo na definição de "normal".
      Será que conversar sozinha é normal? Será que mandar a si mesma calar a boca, ou as vozes em sua cabeça, é normal? Ver sombras o tempo todo e sentir medo delas é normal? Chorar do nada, ou por tudo é normal? Não conseguir fechar os olhos porque tem medo de ter pesadelos é normal? Sentir medo de si mesma é normal? Olhar pra dento de si mesma e tentar se convencer de que você não é um monstro é normal? isso é normal?
       Eu venho pensando sobre tudo isso e mais um monte de coisas que tenho medo de falar à respeito. Não sei se consigo conviver com isso por muito tempo. Toda essa desconfiança em mim mesma, essa insegurança que ninguém percebe que existe, essa timidez que duvidam, os segredos que me cercam. Eu não sei mais conviver comigo mesma. Isso se tornou tão difícil que evito me olhar no espelho, mas ninguém vê. Ninguém sabe. Nem quer saber.
       Acho que eu nem me importo mais se minhas dores de cabeça forem algo mais grave, ou se meus pulmões simplesmente pararem de funcionar, ou se minhas sensações forem alucinações e delírios. Eu não me importo mais se tudo isso for um sintoma, ou até mesmo um efeito colateral. Eu quero que se dane tudo isso. E que eu me dane junto. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Não Defina, Por Favor


       Eu devia ter percebido antes, mas eu tenho essa mania de olhar no espelho e me questionar. Dessa vez eu me questionei pelo motivo errado. Provavelmente isso vai parecer romântico demais, bobo demais... Mas quer saber de uma coisa? Eu não me importo mais. Eu te amo, eu não escondo. Nunca escondi. Então que seja bobo ou o que quer que pareça.
       Cada segundo longe de você, me faz querer correr - se eu pudesse correr, é claro - ao seu encontro. Detesto ter que aguentar um dia inteiro sem você. Não me conformo com o fato de ter que passar mais de doze horas longe de você. Porque doze horas já me incomoda pra caramba. Imagine mais que isso!
       Você olha nos meus olhos e eu consigo acreditar que você também me ama. Cada palavra, cada gesto... Tudo me faz ter certeza de que nós nos amamos de verdade. E, Deus, como eu queria grudar em você pra sempre. Como eu gosto de cuidar de você, como eu gosto de abraçar você, como eu gosto de permanecer na sua presença. Não me importa se você estiver com o seu vídeo game e eu com meu livro. Nós somos incríveis juntos. E somos incríveis para nós mesmos.
       Eu provavelmente não deveria dizer isso, mas eu não me importo com mais nada se eu tiver você. Sim, você me causa esse efeito. É um sintoma que eu nunca tive antes. Você faz eu me sentir completa. Cara, eu finalmente admiti isso! Eu sou completa com você e o resto me parece tão banal que eu não me importo se o mundo explodir.
       É sério, você é meu Mar, meu amor. Eu não tenho coragem de te fazer nada que seja oposto ao bem. Eu preciso que você esteja bem. Preciso e quero cuidar de você. E não faz mal se você não entender nada disso, porque, às vezes, nem eu entendo. É que amor não se entende. A gente simplesmente ama. Eu aprendi que se você consegue definir um amor, você deve duvidar dele. Então eu espero que você simplesmente também não consiga definir o que sente por mim.


Eu te amo, meu Mar.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

I Don't Wanna Die Alone


       Às vezes, me sinto vazia. Na verdade, me sinto vazia na maior parte do tempo. É estranho admitir publicamente, mas é ruim não admitir. É que com esse sentimento de vazio, vêm outros sentimentos. A culpa, a inutilidade, o esquecimento, a incompreensão, o peso. E são coisas das quais eu não consigo me livrar. Eu não consigo me sentir menos culpada, ou menos inútil. Não consigo parar de pensar que as pessoas à minha volta estão me esquecendo a cada dia.
       Quando paro pra pensar - o que é muito frequente -, me imagino deixando tudo pra trás. Imagino que me perdi de vez em algum lugar no mundo, onde ninguém me procuraria. Mas não que eu ache que alguém vá me procurar, porque tenho a impressão de que, em algum momento, à curto prazo, essa busca pararia. Então eu penso em finalmente deixar essa vida, mas sou tão fraca. Não tenho coragem, sequer, de dar continuidade à isso. Eu fico pensando em maneiras, em possibilidades, mas não me movo.
       Eu quero acreditar que exista alguém que realmente me ama e faria tudo por mim. Alguém que vá lutar contra tudo e contra todos se necessário. Gosto de pensar que ele me poria à frente de tudo e que nem precisaria pensar pra me escolher. Eu fico imaginando como seria se ele decidisse passar o resto da vida dele comigo. Mas são especulações. Porque se tem uma coisa na qual eu acredito, é que ninguém iria querer passar o resto da vida comigo.
       A cada palavra que escrevo, perco um pouco de mim e talvez um pouco da minha sanidade. Perco um pouco das certezas boas e ganho algumas ruins. Perco um pedacinho da alma que restou e, às vezes, consigo senti-la partindo. Então quando alguém se aproxima, eu sorrio. Porque ninguém nunca vai acreditar nas suas lágrimas mais do que no seu sorriso. Mas isso não significa que, justamente o sorriso, será verdadeiro.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Logo Mais Amanhã Já Vem

"A sustentação é que a manhã já vem. Logo mais amanhã já vem." - Pitty Leone

       Às vezes a gente precisa de um lugar no paraíso. Um lugar que seja só nosso e que não possa pertencer a mais ninguém. A gente precisa entrar em contato com nossa alma. Precisamos de um lugar que nos permita sermos nós mesmos. Às vezes a gente precisa fugir.
       Olha, eu não quero ser dramática (como se eu risse), mas sumir pode ser uma opção. Partir pode ser a cura que eu tanto procuro. Pode ser metafórico, literal, temporário ou até permanente. Pode ser o que tiver que ser. Eu aguento.
       Eu só queria que alguém levasse esse meu desejo à sério. Por que esse tipo de coisa é sempre feito pra chamar a atenção? Por que isso tem que ser um drama, um exagero, ou pior, uma piada? Por que não dá pra levar à sério que eu não quero estar aqui? Eu pareço tão fútil assim? Quer dizer, eu me abro, me exponho, confio e tudo não passa de uma besteira? Deixa pra lá (é o que eu sempre digo). Eu preciso de ajuda (é o que eu quero dizer).
       Sabe, por mais que ninguém enxergue, eu juro que quero fazer a coisa certa sempre. Juro que quero ser alguém melhor, mas não consigo. E se tem outra coisa que eu posso jurar, é que eu não sei o porquê. Então esse pensamento volta. Eu preciso fugir. Preciso me livrar de mim mesma. É que parece tão triste e ridículo ao mesmo tempo admitir tudo isso. Mas quem se importa? Ninguém. Se alguém se importasse, eu não precisaria escrever.
       Por dentro, sei que sou um monstro. Sei que sou um desapontamento. Já ouvi isso sobre mim. E eu queria ser algo mais que apenas isso... Um monstro, um desapontamento. Eu queria ser mais. Uma luz talvez. Um orgulho. Mas isso está longe de acontecer. Eu vou seguindo o meu caminho enquanto ainda não tenho coragem o suficiente para me parar. Vou seguindo enquanto consigo.
       Um dia eu cumpro a promessa que fiz à mim mesma. Cumpro e sumo. Que falta vou fazer? À quem vou temer além de mim mesma? Um dia, talvez, eu consiga mostrar a minha personalidade de verdade pra alguém. Um dia, talvez, eu consiga ser salva. Um dia, talvez, eu não precise mais ser salva.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O Espelho

       Garota, quem você pensa que é? Uma modelo de corpo perfeito que sabe o que quer desde pequena? Ah, não. É claro que não. Essa é outra. Você é aquela que imagina não ter sequer uma chance no mundo. E, cá pra nós, seria difícil você realmente ter uma chance mesmo. Sabe o que é? Você não é do tipo "garota preparada". Desculpe a transparência.
       Eu te provoco uma reflexão? Ou você só precisa olhar o reflexo que lhe ofereço para se convencer de que é incapaz? Eu sei, eu sei... É difícil viver assim. É difícil acordar toda manhã e olhar pra si mesma sem saber se aquele reflexo é você ou apenas uma imagem de si. É minha garotinha, sua situação não é rara, mas que é grave, é.
       Eu sei como você se sente. Eu posso não te mostrar isso, mas eu consigo ver. Consigo ver suas lágrimas quando elas caem enquanto você se encara diante de mim. Consigo ver suas mãos tentando modificar a imagem que eu lhe mostro. Consigo ver quando você se auto-avalia tentando descobrir uma maneira de modificar-se. Eu consigo ver tudo. E você também.
       Sabe, minha querida, você deveria parar de se julgar. Ainda não percebeu que você não consegue se dar uma sentença? Ah... Isso é tão a sua cara. Avalia, avalia, questiona, mas no fim das contas não chega a lugar nenhum. Porque você não sabe se mover. Não sabe se impor e muito menos sabe tudo sobre si mesma. Então, garotinha, pare de tentar se punir. Porque nem isso você faz direito.
       Um dia, talvez, você olhe para mim e consiga se reconhecer. Eu sei que é difícil, mas talvez, por um momento ao menos, você consiga ver quem você realmente é por fora e, assim, consiga crescer. Porque você ainda é tão pequena, minha querida. Tão pequenina que pensa que é gente grande. Olhe para mim uma vez mais... Eu sou você.

"O espelho pode mentir.
Ele não mostra quem você é por dentro."
- Demi Lovato, Believe in Me.

Desconexão

       Um cérebro desconectado faz coisas que o ser humano duvida. Os relatos de alguém que sente isso na pele, ou melhor, por baixo da pele e do crânio, podem ajudar alguém. Talvez um dia. O que é melhor: se identificar com a Alice, ou descobrir que o que têm em comum é um cérebro danificado? Nenhuma das opções são válidas no mundo real. Porque a Alice não existe e porque a que supostamente existiu precisou ter a história encoberta. Isso não é boa semelhança. É, no mínimo, perturbador.
       Você já sentiu que não tinha mais nenhuma opção? Já sentiu que não aguentaria seu próprio futuro? Já sentiu que talvez você nem tivesse um futuro? Isso é tão precoce de se pensar. É tão realista e ilusório também. Tão amedrontador.
       Quando uma palavra te machuca e o silêncio te corrói não há mais escolhas. Não há o que te fortaleça. Quando tudo à sua volta te faz mal, mesmo que sem querer, nada te deixa ser verdadeira. Porque nesse momento o que você mais quer é esconder de todos as suas fraquezas  que, vá, são muitas.
       Esqueçam a parte sonhadora e foquem nos pesadelos da Alice real. Porque o que é real, é palpável, porém, discutível. A ficção tem pontos de vista e não uma realidade. O problema é que, diferente da ficção, a realidade dói. Esqueçam as palavras e o silêncio, pois já não restou mais nada que não faça doer.
       Às vezes eu sinto que já terminei minha passagem pelo mundo. Sinto que já não preciso mais continuar. Será que é tão ridículo assim pensar que sua vida já venceu o prazo de validade? Mas afinal, o que é esse prazo? E como você sabe que ele venceu? Será que é quando você começa a desistir de si? Ou será que é quando você desiste de vez?

"All the monsters are human."
- American Horror Story: Asylum

domingo, 4 de janeiro de 2015

De Mim Para Mim

       Se alguém lesse o que eu escrevo aqui, certamente eu já estaria sendo tratada como louca. Mas como nada disso é visto, eu posso enlouquecer sozinha, apenas fingindo que está tudo bem. E não está bem. Eu não estou bem. E não é culpa de ninguém, é só minha.
       Eu posso escrever tudo o que eu sinto sem me preocupar com a exposição. E é por isso que continuo. É por isso que escrevo cada vez mais sobre coisas que eu não tenho coragem de falar diretamente para alguém. É por isso que continuo sentindo tudo sozinha e em segredo. Ninguém vê.
       É claro que sempre tem alguém que encontra meus textos aleatoriamente, mas isso não me preocupa, pois podem me achar uma louca, mas, para essas pessoas, sou apenas uma louca qualquer. Sou apenas uma pessoa aleatória, com problemas e sentimentos aleatórios. E até aí, tudo bem. Ou menos mal.
       O meu incômodo seria maior se alguém do meu convívio lesse tudo aqui, mas sei que não corro esse risco. Não sou um personagem interessante e tenho consciência disso. E tudo bem pra mim se ninguém ler, porque quem leu nunca se importou. Então por que alguém se importaria agora?
       Sinceramente, não quero que ninguém se identifique com a maioria do que escrevo, pois escrevo para mim e não desejo que outras pessoas sintam as mesmas coisas. Simplesmente porque a maioria dos meus sentimentos são ruins. Então prefiro continuar assim, com sentimentos pesados e escrevendo de mim para mim. Nem tudo que a gente escreve deve ser lido.