domingo, 4 de janeiro de 2015

A Alice Que Há Em Mim

"I can't explain myself, I'm afraid, Sir, because I'm not myself you see."

       Sem encantos e nem coelhos. O que há em comum são os delírios, são pensamentos e supostas alucinações. As flores não falam e - infelizmente - os gatos também não. Porém, as sombras tomam conta do espaço. Que de espaçoso não tem nada, pois é claustrofóbico e escuro.
       Tem vestido e tem tiara, mas as madeixas são de outra cor, são mais longas e enroladas, porém, com menos vida. Tem sapato de boneca que é preto, mas com salto. Não há mais desculpas para usá-lo e assim acaba por ser melhor.
       Tem os sonhos e os pesadelos, mas o lugar ainda é o mesmo. O que assusta é o espelho que insiste em provar que há outra garota ali. Não tem lagarta conselheira e nem borboleta que incita. Os cogumelos são de comer, mas o tamanho é sempre o mesmo depois disso.
       Não tem gêmeos, nem chapeleiro e muito menos uma lebre. O que tem são felinos espalhados que apenas sabem miar. Tem cachorro que late e irrita, mas é amável pra variar. Não tem irmã, mas tem irmão que nunca viu. O resto da família é melhor sequer lembrar.
       Tem o choro e alguma alegria, tem um mar, mas não é de lágrimas. Tem saída sem saída onde sequer dá pra entrar. Tem queda livre que não faz cair. Não há rainhas e os reis não são tão bons. Não tem rosa pra pintar de carmim porque as que tem são pintadas de azul.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Eu Nunca Dormi Bem

       Como é se sentir amada? Como é ter certeza de que alguém te ama e faria tudo por você? Como é se sentir importante? Como é se sentir necessária? Como é ter certeza de que está no lugar certo na hora certa? E como é poder responder à essas perguntas de uma maneira diferente de "não sei"? Porque essa seria a minha resposta para qualquer uma dessas perguntas. Eu não sei.
       Antigamente eu sentia as coisas ruins, mas isso não acabava comigo. Eu não sentia tudo desmoronar dentro de mim quando eu era mais nova. Mas isso já faz muitos anos. Hoje eu sinto tudo. Qualquer coisa ruim, por menor que seja, eu sinto como se fosse um soco no estômago, daqueles que te deixa sem ação e sem ar. Não deveria doer tanto.
       Não menosprezo dores alheias, mas não consigo invalidar as minhas. Mesmo assim, pareço egoísta por falar da minha dor. Eu sinto esse egoísmo, sinto que quando me exponho as pessoas perdem o interesse, então me calo. Não deveria ser tão difícil falar de sentimentos, mas existe um problema quando sentimos tudo e nada ao mesmo tempo. Será que isso é o vazio de que todos falam? É sentir tudo e nada ao mesmo tempo? É querer chorar, mas não ter mais lágrimas? É ter um nó permanente na garganta?
       Eu não me sinto confiante. Não me sinto bem com relação aos outros e nem comigo mesma. Não gosto mais de sair de casa como eu gostava antes. Não gosto mais de conversar como eu gostava antes. Não gosto de mim como eu gostava antes. Será que é culpa minha eu não gostar de mim? A culpa é minha quando ninguém me aguenta mais. Eu sei como posso ser dispensável, substituível e inferiorizada. Sei que não sou o bastante. Não preciso que esfreguem isso na minha cara.
       Metade do que sou é chata, sem nada de especial, vazia e indiferente. A outra metade já se foi. Não tenho mais a parte boa que me deixava sorrir, que gostava de falar e que era alegre. Faz tantos anos que não me reconheço mais. Tantos anos que eu nem sei o que me fez mudar. Aliás, nem sei se o "eu" que sou agora é meu "eu" verdadeiro que estava escondido no fundo de um "eu" superficial. Será que é assim que a gente se dá conta de quanta indiferença valemos nesse mundo? Ou será que é assim que a gente decide partir?
       Eu tento. Eu juro. Mas eu não consigo ser a pessoa boa que querem que eu seja, eu não consigo ter a paciência que querem que eu tenha, eu não consigo viver a vida que querem que eu viva. Sou uma pessoa tão ruim nesse mundo. E provavelmente em vários outros. Não sei ser perfeita, não sei nem chegar próximo à perfeição. Só sei ser eu. Mas esse "eu" não basta para o mundo e muito menos para mim.
       De todas as vontades que tenho, a maior é querer me desculpar com todos os que já passaram pela minha vida. Queria poder pedir perdão pelo impacto que causei - se é que causei algum. Queria me desculpar por ter estado presente nessas vidas e pelo mal que, provavelmente, causei. Queria que todas essas pessoas entendessem que não sou ruim porque quero, mas apenas sou e não consigo modificar isso. Eu não nasci pronta.
       Sei que causo irritação, chateação, esquiva, raiva, ódio, decepção... Mas nunca consegui evitar isso. Não importa o quanto eu tente, eu não consigo ser melhor. Não consigo não ser mais que um desapontamento. Não sei causar bons impactos.

"Você dorme bem porque sabe que é amado.
Eu nunca dormi bem assim."
- Êxodo: Deuses e Reis

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Messed up

       I know that may be ridiculous but sometimes we are like this. We are all ridiculous. It's a funny story when you start to talk but then you want to cry. I don't know what about I'm writing this night but I know that is a feeling. And a feeling can't be ignored anyway.
       I found myself laying in bed crying about nothing and also crying about everything. But what is everything? What is a thing when you feel that you are nothing? Sometimes I really feel like I'm nothing and I'm not proud of it but it is the truth. I need to hide this but I feel this stamped on my face. Everytime I look to the mirror I can see the chaos. 'Cause I am the chaos.
       It's not personal. I am the only blamed. I just don't really know how to handle with myself. I don't know how to handle with my secrets or with my weaknesses or with my self-harm. No one can see but me. I am my own trouble. And that's the real trouble! I just don't know how to fix this. I don't know how to fix me.
       Maybe one day I get over all this mess. I can keep quiet in my room while the teardrops on my face falls down. Because it's the only thing that sometimes I can control. I can cry alone in my bed or just cry inside next to someone. Perhaps I'll die alone like I always thought. Perhaps someone will stay with me forever. I don't wanna guess it.

(in english is better)

sábado, 22 de novembro de 2014

Não Vá Para Casa Sem Mim

       Eu estava aqui pensando e me dei conta de que ele faz parte de 95% dos meus pensamentos. Notei que é nele que eu penso quando me sinto mal, quando me sinto bem, quando sinto. Eu simplesmente não consigo deixá-lo longe por muito tempo. Ele está presente em cada verso meu, em cada sílaba, em cada letra. Ele sempre acaba no meu pensamento, de um jeito ou de outro. Mas, pensando bem, não me convém escrever tudo na terceira pessoa do singular. Ele é minha primeira pessoa singular, não "do singular" - porque seria impossível -, mas ele é minha pessoa singular, mesmo que soe redundante.
       Você me faz um bem danado e eu, às vezes, custo à acreditar que você me aguenta tanto. Eu sei como posso ser chata, rude e tudo o mais. Mas você ainda está aqui e pretende ficar... Eu pretendo que fique. Porque pra mim já não faz mais sentido estar longe de você, não faz sentido não te olhar, não te tocar, não te abraçar, não te amar. Não faz sentido te perder.
       Você faz eu me sentir viva. E fazia tanto tempo que eu não me sentia assim. Você me faz ter vontade de continuar, me prende aqui como ninguém, porque eu já não tinha motivos. Mas você apareceu e tudo mudou de cor. Eu não me sentia como me sinto agora - sei que isso é óbvio, mas preciso enfatizar. Cada pedacinho meu que foi quebrado está voltando pra mim, só porque você faz com que isso aconteça, você "meio que cura" meus ferimentos. E isso não dá pra negar ou sequer esconder.
       Com você, eu me sinto livre, talvez até poderosa. Eu posso ser quem eu sou, porque você me conhece e gosta disso - e ama isso -, você me mostra como ser melhor, me ajuda. Eu sinto que finalmente alguém se importa de verdade - o suficiente. Porque com você eu posso alçar voo. Eu posso ser real. E mesmo o lado ruim ameniza com você por perto. Isso não é magia, mas bem que parece - já que eu não sei o que é exatamente. Será que o que dizem sobre o amor é verdade? Dizem que a gente muda quando ama. Deve ser isso. Meu amor por você. Seu amor por mim.
       Correndo o risco de ser a romântica exacerbada que sou, escrevo tudo isso. E escrevo músicas sobre você. E poemas. E frases. E parágrafos. E o que mais der. Porque você vale cada letra que eu escrevo, cada verso que recito e cada nota que eu canto. Mas às vezes encontro músicas que não são minhas, mas bem que poderiam ser, de tanto que me lembram você, de tanto que dizem o que eu penso, o que eu gostaria de dizer. São palavras que eu ainda não havia encontrado. São palavras que eu não disse. São versos que não são meus... Mas bem que poderiam ser.


- Eu te amo, meu Mar.

domingo, 16 de novembro de 2014

Meu Mar

Eu te poetizo pra poder transbordar
O que visualizo nesse teu compassar
E te faço mar, meu Mar

E eu te musico pra poder cantar
Parece esquisito, mas é acalentar
E te tenho mar, meu Mar

Eu te sonho tão lindo que me faz delirar
Eu te abraço dormindo pra poder acordar
E te faço mar, meu Mar

E eu te toco e isso me faz imaginar
Que és meu foco e posso, então, realizar
E te tenho mar, meu Mar

domingo, 9 de novembro de 2014

Mais Nada

       Sentir-se só dilacera. Não importa quantas pessoas estejam à sua volta, você continua só e perdido. Sentir-se só deveria ter um manual, cujo você leiria quando a solidão batesse como onda e você não soubesse o que fazer. Ao invés de enterrar a cara na areia, você poderia alçar voo. Quem dera fosse simples assim.
       Quando a multidão se faz sumir, não existe mais saída inconsciente. Você precisa olhar adiante e se mover. Precisa fazer isso por si mesmo, porque ninguém vai te mover mais do que você. E mesmo que alguém te ajude, isso é apenas metade do caminho, é você quem desmascara o final, quiçá um recomeço.
       De repente, vem o torpor. Isso te carrega para o fundo de um oceano de emoções que você não sabe lidar, mas precisa. Entorpecido, então, você tenta chegar à margem e isso te faz sentir um pingo de vida. Pode ser que seja o suficiente, pode ser que não seja.
       Você nada, nada, nada... E nada. É assim. Vira uma metáfora da vida, pois deixa de ser literal. Já cansou de estar na margem para nada e volta ao fundo. Não adianta mais tentar. Porém, do nada - assim como você -, surge um "algo" que te puxa de volta para a margem e te carrega até a costa. E é isso o que te salva de afogar-se em sentimentos exacerbados.

domingo, 2 de novembro de 2014

Para o Irmão que Ainda Vou Conhecer

       É errado sentir inveja de alguém que conseguiu o que você queria? Quer dizer, não que eu não fique feliz em ver que alguém encontrou uma irmã que nem sabia que existia, eu amo ver esse tipo de coisa, amo saber que as pessoas têm essa possibilidade, amo saber que pessoas se encontram mundo afora. Mas eu queria ter o meu momento também.

       "Desculpe-me por não tê-lo encontrado. Eu juro que tentei e que não desisti. Juro que não vou desistir. Eu nem sei se você sabe que eu existo, não sei se quer me conhecer, não sei se ainda está nesse mundo (Deus queira que esteja). Eu quero poder te abraçar. Falta um pedaço em mim. Falta esse pedaço a dezenove anos.
      Deus me ajude a poder te ver pessoalmente e que eu possa dizer o que eu sempre quis. Que eu possa sentar ao teu lado e te pagar o primeiro café de muitos - se você não gostar de café pode ser chá, suco, leite, milk shake, você decide.
       Eu sei que deveria tentar mais, mas quero que entenda que posso machucar pessoas no caminho. E apesar de estar disposta a lutar por você, eu preciso evitar um novo desastre. Quero tanto que você olhe pra mim e me aceite em sua vida, quero que tenha orgulho de mim e quero ter orgulho de você. Quero te contar tudo o que já aconteceu na minha vida e quero saber tudo sobre você.
       Por agora eu respeito decisões em casa, mas eu juro, meu irmão, eu vou te ver um dia. E se você não me quiser, pelo menos vai saber que existo, vai saber que eu te amo independente de tudo, vai saber que eu quero ser a melhor irmã do mundo pra você. Desculpe-me pela demora, mas isso não reflete o que sinto."

Fingir Tão Completamente

       Comecei a vida me expressando normalmente, quando me cabia dentro do contexto. Depois comecei a me expressar em excesso, então notei o que isso causava. Enfim, passei a me expressar cada vez menos. Mas tudo isso pareceu tão rápido que sequer me lembro da última vez em que fui tão expressiva em anos. Recordo-me mais de sentimentos recentes.
       Não deveria ser tão complicado falar sobre sentimentos, mas pra mim isso é uma tortura, independente do que estou sentindo e da intensidade. Minha garganta se fecha, minhas mãos tremem, surge a vontade de um choro copioso, meu estômago revira e meu cérebro se confunde com as palavras. Eu quero falar e até tento, mas algo dentro de mim - algo que está aqui dentro desde quase sempre - não me deixa falar.
       Mas aí, eu encontrei você. Não! Você me encontrou. Olhou nos meus olhos, me aconchegou em seus braços, me viu no exato momento em que eu não deixava que ninguém me visse. E naquele momento, um sentimento de vergonha tomou conta de mim. Eu não sabia onde me esconder, a não ser dentro de mim mesma. Porém, você não permitiu que isso acontecesse. Você adentrou meus pensamentos e medos, já sabe quase tudo de mim. Só não tem ideia do quanto isso me assusta.
       Eu sei que meus pensamentos funcionam diferente e você compreende isso ao invés de me repreender. Por isso, quando estou triste e você está por perto, ou eu me viro para o lado oposto, pra que você não precise ver aquela cena deprimente outra vez, ou eu simplesmente me aninho no teu abraço e fecho os olhos. Porque isso parece melhor do que fingir ou morrer.

“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.”
- Fernando Pessoa

domingo, 19 de outubro de 2014

Amor e Outras Drogas

       Quando você, sem querer, demonstra alguma fraqueza, tudo se dissolve à sua volta. É horrível imaginar que você foi exposto por si mesmo. E é por isso que tanta gente se esconde. Esconde traumas; esconde transtornos; esconde medos e inseguranças. Esconder é mais fácil do que enfrentar olhares.
       Mas quando a gente já não consegue esconder mais nada e mesmo assim não somos notadas, isso gera um caos. É um caos que ninguém vê. Só você pode ver seu próprio caos, é mais fácil assim. E mesmo quando você está rodeado de pessoas que estão constantemente presentes em sua vida e nem elas se dão conta dos sinais que você expõe... Ai, meu caro, é hora de tomar cuidado ou tomar coragem. A ajuda não é tão fácil quanto muitos pensam.
"Ah, é só chegar e dizer o que você sente que alguém vai te dar suporte e conselhos que mudarão a sua vida."
Ou ainda pior:
"Por que você não para de ser negativo? Nossa, seja positivo. Pense em coisas felizes. Engole um espelho e se ama por dentro."
       Ah, sério?! Esses são os conselhos que vocês têm? Sabe o que eu acho disso? Eu acho que você é quem deveria escrevê-los em um papel e ENGOLIR! Ora, poupe-me! Seria melhor ter ficado calado.
       Mas quer saber, quando uma pessoa - apenas uma - nota que há algo errado e TENTA te ajudar... Isso sim, pode mudar seus pensamentos. O problema é que há uma bifurcação nisso. Você pode se sentir ainda pior. Isso pode te dilacerar por dentro por você pensar ser um ato de caridade e/ou piedade. Mas você também pode perceber o quão especial você é. O quão realmente necessário você é na vida de alguém.
       Quando alguém te encontra à beira da morte e mesmo assim não vai embora, isso vale mais que tudo. Não precisa ser mais de uma pessoa. Só uma já basta. Só uma. Ninguém quer morrer porque não aguenta mais o mundo, todos querem morrer porque não sabem mais lidar consigo mesmo. E então a vida te impõe a escolha: Você vai querer Amor ou Outras Drogas?

"Às vezes, o que a gente mais quer, não acontece. E algumas vezes o que não se espera, acontece. [...] A gente conhece milhares de pessoas e nenhuma delas te toca realmente. E então conhece uma pessoa, e sua vida muda... Pra sempre."
- Amor e Outras Drogas.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Pensando Nisso...

Sentir-se cheio de estar vazio,
Tentar se aquecer do frio.
Até conseguir perceber
Que esse gelo é só você.

Perder a linha, ou se controlar?
Abrir a boca, ou se fechar?
Até você se dar conta
De que nunca vai estar pronta.

Pensando nisso, é melhor ceder!
Ceder a que, quem e por que?
Nunca se sabe até se ferir.
E então ceder ao "partir".

Mas é só síntese da vida.
Toda tristeza, cada ferida.
E o que importa quem vai julgar,
Se no fim você nem vai estar?

domingo, 28 de setembro de 2014

Retroceder-me-ei

Retrocedi
Voltei-me pra dentro outra vez
Voltei a pensar: "inlucidez"

Regredi
Voltei ao lugar de partida
Esperando ser acolhida

Nem sei
Se o agora vale mais do que antes
Ou se ignoro os pensantes

Deitei
E tive mais um pesadelo
Só me olhava no espelho